O futebol sempre foi levado a sério na minha casa. Até demais.
Meu avô veio de Minas Gerais para ganhar a vida jogando futebol em São Paulo. Levava paralelamente um trabalho como funcionário federal, já que não podia contar com o pouco dinheiro que a bola rendia naqueles tempos.
Em menos de um ano, casou-se com a minha avó, que também era apaixonada pelo esporte, embora tenha confessado certa vez gostar também de olhar as “pernas bonitas dos rapazes”.
Tiveram três filhos. Só o do meio, Claudio, gostava mesmo de jogar desde menino.
Vovô foi então realizar o sonho de jogar no Corinthians. Na reserva, mas quem se importava? Nem ele. O importante era mesmo estar em campo, fazendo o que mais amava.
Sua maior atuação no clube foi numa partida pelo Rio-São Paulo, em 1940, na vitória de 4 x 1 sobre o Vasco da Gama. Zagueirão, imenso, pesado, não marcou gols. Mas comemorou os “tentos” dos amigos Teleco, Carlinhos e Servílio. E se lamentava por não ter evitado o único gol do time carioca, marcado por Durval.
Depois de uma briga com os dirigentes, mudou-se para o Nacional, onde permaneceu até o fim da vida. Morava dentro do clube com os dois filhos (o mais velho morreu em seus braços, aos 4 anos). Vovó tirava mais uma graninha lavando os uniformes dos “rapazes de pernas bonitas”. Treinava pouco, por ter que dividir-se entre a estrada e os gramados. Mas nem se importava, de novo.
Em 1951, encerrou a carreira, chegou a treinar os times juniores do clube. Em 1964, aposentou-se da estrada e comprou uma casinha em Pirituba. Que virou um casão. E foi tocar a vida.
Vovô viveu quase um século. Assistia as mudanças do mundo, a evolução das coisas e ria, sem comentar muito. Era de poucas palavras, mas de um sorriso largo, enorme e debochado. E como amou seus filhos…como amou seus netos…como amou Vovó. Incondicionalmente.
A vida não foi muito generosa com ele. Por viver tanto tempo, assistiu a coisas maravilhosas e vivenciou momentos terríveis. Como a morte de todos os seus amigos. E dos dois filhos que restaram.
Mas nunca deixou sentirmos o vazio que ele mesmo carregava no peito. Esforçou-se até seus últimos dias para ficar um pouco mais e não nos fazer sofrer. Já não conversava mais, não contava mais suas preciosas memórias por horas, para seus netos e agregados atentos, que adoravam ouvir suas incontáveis histórias. Uma das últimas coisas que comentou, claro, foi sobre o Corinthians. Que no ano do centenário, em seu último ano, não conseguiu lhe dar uma grande alegria. No último sábado, Vovô não conseguiu mais brigar consigo mesmo para ficar com os netos e dormiu tranquilo. Para sempre.
Eu defini minha dor como um tiro no peito. Mas acho que é muito maior do que isso. O que me consola é saber que viveu tudo o que podia e o que não podia também. Me consola também o abraço das pessoas todas que, assim como eu, e como ele, também o amaram sem medidas.
Hoje, e talvez por muito tempo, derramo lágrimas repletas de amor. Amor que ele me deu ao me dar a minha primeira bola. De vôlei, de couro, branquinha. Mas uma bola. Amor e salário que ele depositou inteiro numa Ceci cor de rosa de cestinha, o sonho de toda menina da minha idade. Bicicleta essa que mal aproveitei, por causa de um acidente que me quebrou um braço. Mas e daí? Amor que ele dedicou por horas e horas me ensinando a dirigir. Amor que ele exalou até seus últimos dias, quando recebia nossos mimos, abraços, beijinhos, com aquela carinha de menino velho, que fazia sempre que estava adorando alguma coisa.
Perdi meu pai duas vezes. Mas que privilégio meu esse…
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Ok, ok, eu vou torcer pela paz, pela alegria e pelo amor, como Jorge Ben nos áureos tempos. Farei minha parte de cidadã e tudo mais.
Mas, fala sério, dá pra ter esperanças quando se descobre que Lúcio é o homem forte da seleção? O capitão dunguês? Não, né? E olha que já chamam o cara de “xerife”…
Tá certo que o cara tem vontade, mas daí, eu também tenho vontade de tantas coisas no mundo…
Tá certo também que o cara é candango, da minha segunda terra, devia ganhar 100 mil por mês em Planaltina, lá onde ele nasceu. Mas pô, se “ele” é o cara, que será de nós nesse mundial, minha gente?
Eu já morei em Brasília, e sei que de lá não brotam coisas muito melhores que o Gama e o Brasiliense – que quando eu vivi lá, nem existia efetivamente. Mas dá pena de lembrar dos míseros estádios da cidade, como o Mané Garrincha, caindo aos pedacinhos. Nos domingos que meu pai me levava pra ver uma pelada que eles achavam super profissional. Definitivamente, não é uma cidade tradicional de boleiros.
Beleza, o Kaká veio de lá também. Mas formou-se em São Paulo, aprendeu aqui. É bem diferente.
E talvez o local de nascimento nada tenha a ver com o desenvolvimento do jogador. Só que fiz naturalmente essa associação por conhecer a cidade e tudo mais. Coisas de meninas que pensam longe.
É claro que, assim como a maioria, eu também não estou satisfeita com a seleção. E acho que não iremos muito longe na África. E a certeza só veio com as notícias sobre nosso capitão, e a pouca modéstia dele, quando fala do próprio trabalho. Sério, confiança é pouca em suas declarações e bom mocismo.
Mas, mesmo desacreditando, vamos em frente. Afinal, o nome dele é Lucimar…
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Sei não se as meninas concordam. Mas mesmo sem defender o São Paulo hoje, adotei o Fernandão como o tesão da rodada mesmo assim. Primeiro, pela total falta de opções. Segundo, porque mesmo trintão, tá beeeem ok.
Tá, tá, a tirinha Olivia Newton-John em Physical é desfavorável. Meio argentino, meio brega, sei lá. Meu marido também diz que ele tem cara de cavalo. Mas até aí, o Raí também tem. E que Mangalarga Marchador, heim? Defeito único dos dois? Claro, o time. (rs)
Preciso prestar mais atenção nas próximas rodadas, pra fazer o meu Troféu Ney Paraíba particular.
Apenas alguns pequenos comentários sobre o que aconteceu de mais importante. Mais para a frente teremos novidades e novos formatos. Aguardem:
Fluminense 1 X 0 Atlético-GO
Joguinho meia boca. O Atlético-GO vem mostrando força desde o ano passado. Também exemplo de clube bem administrado, com boa estrutura. Pode dar trabalho aí e surpreender na Copa do Brasil. É lá que está com a cabeça, nitidamente.
Grêmio Prudente 4 X 0 Atletico-MG
Luxa não anda lá num bom momento. Parece que os meninos da Vila conseguiram tirá-lo do sério. Poucos esperavam um placar tão elástico como este. O pessoal antigo de Barueri parece ter mantido uma boa base para este campeonato e vem mostrando que um clube bem organizado pode obter bons resultados.
Vitória 1 X 1 Flamengo
A gente tem na cabeça que o campeonato brasileiro do ano passado praticamente caiu no colo dos rubro-negros. Essa teoria começa a se confirmar pelo desempenho neste brasileirão e também na Libertadores.
São Paulo 1 X 2 Botafogo
Além de muito simpático, é impressionante o que Joel Santana consegue fazer nos times pelos quais passa. Mesmo com um elenco fraco, sem grandes estrelas, ele deixa o time pra cima, redondinho e tira futebol de jogadores que jamais imaginamos.
Santos 1 X 1 Ceará
Ainda preocupados com a semifinal da Copa do Brasil contra o Grêmio, o Santos se mostrou mortinho no jogo, sem muita força de vontade. Até pênalti o Neymar perdeu. Olha que esses pontinhos perdidos no início do torneio podem fazer muita falta lá na reta final.
Goiás 2 X 3 Internacional
Apesar de meio truncado, bom jogo. Os goianos tinham dois gols na frente, pareciam controlar o jogo, mas a raça gaúcha prevaleceu e o povo do Inter não só foi buscar o empate como virou o placar.
Grêmio 1 X 2 Corinthians
Também de olho na Copa do Brasil, parecia não estar em campo. Em alguns poucos momentos conseguiu exercer certa pressão sobre o adversário, mas nada muito objetivo. Um gol aos 30 do segundo tempo ensaiava uma reação, mas foi só.
Vasco 0 X 0 Palmeiras
Como dizem os amigos palmeirenses, o time tá correndo o risco de se tornar o novo Juventus. Faz muito tempo que a equipe não apresenta um bom futebol. Especialmente depois de toda a confusão com a possível saída de Diego Souza, um dos principais atletas do elenco. Se as coisas não mudarem de vez, vai ser um ano de muito sofrimento para os torcedores. O Vasco a gente pula. O Dinamite merecia mais sorte.
Cruzeiro 2 X 2 Avaí
Bom jogo. O time do sul vem mantendo um bom ritmo, mesmo depois de ter perdido uma de suas principais peças, o técnicos Silas. O Cruzeiro continua com a cabeça na Libertadores e tem pela frente a dura missão de derrotar o São Paulo na casa do adversário.
Atlético-PR 2 X 2 Guarani
O bugre do Brinco de Ouro da Princesa (nossa, que nome é esse, hein?) conseguiu arrancar um bom resultado. Agora precisamos analisar sua participação inteira no campeonato já que ele acaba de retornar da segundona. O Atlético-PR a nosso ver parece a seleção da Espanha. Todo ano parece que vai, mas acaba morrendo logo.
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A declaração foi enfática: “para quem não sabe, tenho 33 anos, 8 operações no meu corpo e às vezes jogo com muitas dores”. Ok, concordamos, não é fácil atuar nessas condições. Ele só se esqueceu de dizer seus mais de 100 quilos e a falta de vontade apresentada desde a conquista da Copa do Brasil, ainda em 2009.
Não foi apenas na busca pela continuidade na Copa Santander Libertadores que Ronaldo não apresentou um bom futebol. Mesmo tendo feito os dois gols da partida e não ter culpa no gol sofrido pelo Corinthians, ele não vem jogando nada faz muito tempo.
Desde que o Paulistão teve início e ele voltou com uma bela protuberância logo abaixo do peito, demonstrando a sua completa falta de forma física, assustamos. Aquele não era o Ronaldo que haviam prometido e também aquela figura mais parecida com tiozinhos que passam o domingo no boteco e depois roncam o resto da tarde do domingo estava há anos luz do fenômeno das finais do Paulistão do ano passado.
Por mais que a revelação e as planilhas do Timão digam que ele está entre os que mais treinou, parece-nos que o treinamento continuou na gandaia e à mesa fora dos gramados. Ronaldo – assim como alguns outros grandes nomes, incluindo aí o Adriano – mesmo bem próximo da aposentadoria, tinha tudo para estar entre os selecionáveis. Sim, com seu futebol e sua carreira, teria lugar cativo em qualquer seleção. Desde que, claro, se cuidasse. Se estivesse em forma, certamente desempenharia muito bem seu papel.
Se você conversar com qualquer fulaninho que já jogou futebol e que pegou pela frente um profissional, sabe a diferença que isso faz. O jeito de bater na bola é único, o passe e assim por diante. Mesmo fora de forma. Mas aqui estamos falando de campeonato nacional, torneio mundial, o principal campeonato estadual. Não é a pelada da várzea.
A decadência, porém, aparece visivelmente a cada nova aparição ou escândalo. A história de Ronaldo no futebol é indiscutível. E nem é este o ponto. Nós mesmos jamais imaginamos que ele retornaria aos campos depois de lesões extremamente graves como as que sofreu. Não só voltou como calou a boca de muitos em 2002, tornando-se o maior artilheiro de todos os mundiais.
O problema é que, desde que retornou ao Brasil, Ronaldo perdeu o respeito por si. Surpreendeu novamente. Teve um pico de bom desempenho nos jogos contra o São Paulo e na finalíssima contra o Santos. Alguns bons insights durante a Copa do Brasil 2009. Todos apostavam que ele voltaria a ser o que todos queriam. E era comum até mesmo ver os apaixonados por outros times que não o Corinthians torcendo para que ele se honrasse o apelido de Fenômeno que recebeu.
E isso acontecia justamente por aquilo que Ronaldo representa no futebol. Um ícone, respeitado e admirado por todos os lugares que já passou. E o que todos queriam era apenas um pouquinho mais de esforço. O problema não é o que se faz fora de campo. Cada um faz o que quer e deseja de sua própria vida. O mais grave é não assumir que esses problemas pessoais causam influência direta em seu desempenho dentro das quatro linhas.
Sabemos que os investimentos feitos no Corinthians se devem principalmente a ele. Pelas cifras que o jogador representa. Pela mídia espontânea que ele gera. Pelas arrancadas, dribles, gols. Em termos de grana, não há o que reclamar de uma parte e de outra. Mas faça a contabilidade: um Paulista + uma Copa do Brasil.
Os amantes do futebol esperam apenas uma coisa de Ronaldo. Que ele tenha respeito próprio. Só isso já seria o suficiente para acalmar os ânimos. Para que ficar se justificando sobre peso, idade ou cirurgias. Oras, aposente-se então com dignidade, sendo a estrela que sempre foi. Não faça o Garrincha, por gentileza! O que os brasileiros menos querem é um fim melancólico e empurrado literalmente com a barriga para aquele que foi um dos maiores craques da história do futebol mundial.



